quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

(Sossego Emocional)

Eis que o sossego emocional chegou!
Repouso neste meu tão almejado silêncio branco
Só eu… e a minha tranquila respiração
Só eu… e o meu abstracto olhar
Só eu… e a minha desanuviada audição
Eis que por fim… tudo terminou!
Desisti de em quase tudo e… em quase todos acreditar
De ouvir dizer sim! E pouco tempo depois, alguém isso negar
De pedir ajuda mas para isso, mais tarde com altos juros, ter de pagar.
Convenci-me finalmente…
Que alguns dos meus amigos e familiares
Se renderam ao reino do egoísmo e da conveniência
Passando a serem, súbditos da deplorável incoerência.
Convenci-me finalmente…
Que há mais quem minta, do que fale a verdade
Daí, e talvez, uma boa mentira “valer mais”… que mil verdades.
Ver para crer… é hoje em dia, o lema da maioria da humanidade
E mesmo assim, cada vez mais, proliferam tamanhas falsidades.
Convenci-me finalmente…
Que há mais quem ame por mera e fugaz ilusão
Do quem ame, com extrema e contínua dedicação.
Alguns amam louca e incondicionalmente, no acto do prazer carnal
Mas detestam-se facilmente logo que algo, começa a correr mal.
Convenci-me finalmente…
Que o ritmo da vida é, e será sempre igual
As palavras, os gestos, os passos, os dias, as estações se repetem
As injustiças sociais e o desrespeito pela vida prevalecem
Que o mundo embora pareça tão esplendoroso, é todavia… tão desigual.

Eis que o sossego emocional chegou!
Mas infelizmente…
A minha mente, a este silêncio branco, não se consegue adaptar
A ausência do repetitivo fragor humano faz-me como que, sufocar
Não… não consigo por mais tempo, esta minha utopia perpetuar
É-me de todo impossível neste silêncio branco poder respirar.
Preciso urgentemente de, ao estrépito desassossego regressar
Sim!
È estúpido e incompreensível mas eu, já não consigo passar
Sem este amaldiçoado desassossego que me faz, assim contrariar
Este meu louco desejo de ao sossego, eu hoje, finalmente mergulhar.
Quiçá para isso, tenha primeiro de, a minha alma ter de purgar
Para então, eu poder, no mais puro sossego, eternamente repousar.

E hoje;
O meu tão almejado sossego emocional…
Assim… tão precocemente, para mim terminou!



A-Soares (apollo_onze)

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Onde nos conduz a ignorância?


Só existe dois resultados possíveis provenientes da ignorância. O seu reconhecimento, que conduz a um estado de sabedoria e com isso a Consciência sobre o mesmo. Ou a sua indiferença face á ignorância, que reverte a um maior grau de Ignorância, por outras palavras Inconsciência.

É então fácil de constatar que os resultados são distintos, um revela Inconsciência, e o outro Consciência. A Ignorância surge assim como um factor essencial para o florescimento de um, e a decadência do outro.

Quando desconhecemos algo, ou seja “não sabemos algo”. A nossa atitude perante o mesmo pode ser proveniente, de um estado Consciente ou Inconsciente. Quer isto dizer que podemos reconhecer que não sabemos, ou podemos por e simplesmente ignorar o facto que não sabemos.
Por outras palavras é nos possível ignorar a ignorância em nós. O livre arbítrio permite isso mesmo.

O reconhecimento da nossa ignorância, revela sabedoria, pois o Homem constata que não possui conhecimento, referente ao assunto em causa. Este estado de reconhecimento é sinónimo de autenticidade e honestidade para consigo mesmo, que por sua vez o conduz a um estado de Graça, de abertura e receptividade para com a Vida.

Quando alegamos que sabemos algo, que na verdade não sabemos, a chegada do novo não se pode realizar, isto porque todo aquele que alega saber, está preenchido e com isso fechado para a Vida.

A Vida dita, que para sabermos algo, temos de estar abertos e receptivos para a aprendizagem e constatação do mesmo.
O simples acto de andar de bicicleta, teve inicio num certo e determinado período da vida. Hoje aquele que sabe andar, nesse mesmo período esteve aberto e receptivo á experiencia, que foi aprender e experienciar o acto de andar de bicicleta.

A Vida é então, sinónimo de experiencia, o Homem têm de experienciar, para depois validar a sabedoria adquirida pelo mesmo.

São inúmeras as pessoas que actualmente, falam e mencionam um sentido para a Vida. Os mestres, os Gurus, correntes filosóficas e religiões, de uma forma ou de outra, mencionam isso mesmo.
Contudo o cepticismo juntamente com o: “eu sei” ou “eu não quero saber”, permanece na sociedade actual, de forma inalterável. São realmente poucas as pessoas que lentamente demonstram uma curiosidade, e honestidade face ao verdadeiro saber.

A própria palavra “verdadeiro” levanta as suas suspeitas, pois num mundo cheio de contradições, como saber onde está a verdade? o leitor pode muito bem neste preciso momento, questionar, o que significa verdadeiro? Como será possível realmente encontrar o verdadeiro sentido para a Vida? Como saber, que esse sentido, é o verdadeiro?

Todas estas questões são legítimas, e pertencem ao estado do “não saber”, porém podemos validar o saber, no momento em que sabemos. Para sabermos algo, como sendo verdadeiro temos que necessariamente experienciar esse mesmo algo.
Tomemos o seguinte exemplo:

O Leitor sabe que possui um ecrã á sua frente, não pensa, nem julga ter, um ecrã, a sua frente. Isto porque o ecrã que está a sua frente faz parte da experiencia do momento, uma experiencia que lhe é validada, pelas palavras que neste momento está ler.
Você o momento e o ecrã são “UM”, a Consciência e a experiencia do momento é Una, logo é verdadeira para si. Questionar esta verdade é questionar a própria veracidade da questão que o leva a questionar.
Diz-nos a experiencia, que a experiencia é Vida, pois sem ela, o simples acto de estar a ler neste momento, não seria possível.

Quando não sabemos, admitindo, esse nosso “não saber”, e reconhecemos o mesmo, a abertura é inevitável, pois o simples reconhecimento permite-nos esse estado.
Encontrar um sentido para a Vida, encontrar a razão pelo qual estamos cá, saber o que somos como Vida, é legítimo e uma questão fundamental na felicidade plena do SER Humano.

Abrir nos á Vida é reconhecer que a Vida é experiencia e abertura, uma abertura que nos conduz á Magia de estar Vivo neste planeta.
Dizer que sim, dizer que talvez, ou dizer que não, sem o SABER. Revela fecho para com mesma. Dizer eu não sei mas estou disposto a saber, é permitir-se a si mesmo á experiencia.

Não acredite nas palavras, mas sim na experiencia, valide por si mesmo, constate por si mesmo, então sim será sábio, porque sabe.

Compete a si, questionar-se, se sabe, se quer saber, ou se por e simplesmente não lhe interessa, o livre arbítrio é seu. Entre ignorar a ignorância, ou optar por reconhecer a mesma, vai um passo sublime, mas de certa forma gigante para com a sua Honestidade.

Não acredite nas palavras, mas sim na experiencia, valide por si mesmo, constate por si mesmo, então sim será sábio, porque sabe, o verdadeiro estado de graça que é o poder por detrás do “não saber”


PAZ

domingo, 29 de Novembro de 2009

O Poder da Tranquilidade na Vida de cada um


O poder da Tranquilidade

3 Dias se passaram desde a última aventura que o meu coração me proporcionou, talvez o suficiente para escrever o que se segue. Foi á sensivelmente 2 meses atrás que a vontade de seguir rumo ao deserto e a África que tudo começou. A experiencia inesquecível e inexprimível por palavras, conduziu-me então uma vez mais ao momento de magia que é viver uma Vida segundo a vontade do Coração.

Hoje, após esta experiencia, a maturidade fruto de quem vivenciou e validou em primeira mão tais momentos, permitiu-me mais uma vez exprimir, partilhar de forma tranquila e sábia, para comigo mesmo, e para quem mais possa estar interessado.

Tranquilidade, é a face da Vida que se reconheceu a ela mesma como sendo a própria Vida. Hoje reconheço que tranquilidade nada tem a ver com segurança, mas sim com a certeza que tudo esteve, está, e estará sempre bem. A Vida que busca segurança é aquela que vive na insegurança, pois para se procurar um, temos que necessariamente experienciar o outro. Esta busca por tranquilidade, faz parte de um processo pelo qual a vida tem de passar. Contudo é apenas um processo, um degrau, que uma vez transposto mostrar-lhe á, a natureza do mesmo. Não existe nada de errado em procurar segurança, porém todo aquele que for persistente, verá que a procura o conduzirá a um ciclo que se auto perpetua de forma ilusória, e a seu tempo saberá o porquê do mesmo.

Por entre aventuras em pleno deserto, montanhas ou em terra de ninguém, a originalidade do momento presente preenchia a vida de forma sublime e mágica. Em terras distantes os momentos apresentavam-se como uma constante aventura, entre magia e momentos de extrema felicidade, aparentes percalços “mentais” se faziam sentir, porém a sua natureza revelava-se ilusória fase a sabedoria de quem tinha descoberto o autêntico sentido da palavra tranquilidade.

A verdadeira Tranquilidade não se busca, Vive-se. Só podemos afirmar que estamos tranquilos quando assim o experienciamos. A busca significa a sua ausência, significa que carecemos desse estado, vivenciar a tranquilidade é SER a tranquilidade, é saber que a Vida quando Consciente dela própria é sinónimo de tranquilidade, Paz. O poder da tranquilidade é a própria tranquilidade, Viver neste estado, é viver livre de insegurança, de intranquilidade e perturbação, tal estado só é possível quando vivenciado, experienciado e validado. Para que isso seja realizável temos que reconhecer a natureza e a causa dos nossos medos, como sendo o único e exclusivo responsável pela ausência da tranquilidade. Quando constatamos a natureza do medo, reconhecemos a natureza ilusória do mesmo, todo o medo incide no futuro, num presumível resultado que ainda não aconteceu. No momento em que temos medo de algo, o resultado desse algo, nesse momento ainda não aconteceu, logo não é real, o Homem afasta-se do momento presente que é pura tranquilidade, para viver um estado ilusório que é o medo.

Viver a tranquilidade é SER a tranquilidade é ser uno com o momento, é reconhecer que o medo, que surge em forma de pensamento é apenas isso, um mero pensamento com principio meio e fim, que possui a credibilidade que atribuirmos. A liberdade concede-nos essa escolha, e por fim essa experiencia, podemos optar por Viver com medo, fechados para a vida, ou com abertura e Amor para com a Vida.

O poder da tranquilidade, transporta-nos para uma dimensão mágica que é Realmente Viver a Vida.



A todos Paz

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Sobre a Honestidade



Hoje estive a pensar em algumas situações onde a honestidade de uma pessoa é posta à prova. Analisemos algumas :
1- O estudante que estudou por horas a fio para determinado exame e, na prova, não sabe a resposta de uma questão; seu colega ao lado usa uma "cola".Deverá pedí-la?
2- No pagamento de uma compra, percebe-se mais tarde que o troco veio a mais. Deve-se voltar lá e devolver o excedente?
3- Você é muito amigo de uma pessoa que está na fila a aguardar ser atendido. Passaria seu amigo na frente das outras pessoas?
4- Você é uma pessoa muito pobre e encontra uma maleta cheia de dinheiro. Procuraria descobrir o dono e devolvê-la?

Passei por todas as situações acima descritas. Nos meus cursos, envergonhava-me de meus colegas quando usavam "cola" nas provas e tiravam excelentes notas. Minhas excelentes ou más notas eram atestados fiéis do conteúdo aprendido...Várias vezes, tanto eu como meu marido voltamos para entregar o troco a mais para alguém que, por certo, teria de repô-lo ao seu patrão, de seu próprio bolso...Já sofrí a humilhação de ceder meu lugar na fila para alguém que acabou de chegar, por ser amigo do atendente...Já devolví objetos achados ou esquecidos e, lembrei-me de que a situação descrita não é hipotética: aconteceu a poucos anos atrás com um gari...

A impressão que tenho é que a cada dia se torna mais difícil ser honesta em um mundo onde impera o hábito de querer levar vantagem em tudo (a Lei de Gerson...), mais difícil não ser ridicularizada por sê-lo. Creio ter chegado o tempo ao qual Rui Barbosa (1849 - 1923) se referiu no seu célebre e imortal discurso:

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto" (In:Obras Completas de Rui Barbosa. "Discursos Parlamentares". Vol.41, t.3,1914. Requerimento de informação sobre o caso Satélite, Sessão de 17/dez/1914)

Por estarem em maior evidência, os políticos costumam ser alvo de maiores críticas. Em verdade, ainda há um longo caminho para uma completa transparência dos gastos públicos; porém, sinto que, mesmo em passos lentos, temos avançado na cobrança da honestidade. Mesmo que às vezes surja uma certa sensação de impunidade, uma coisa é certa: nunca se cobrou tanto, nunca se deu (legalmente) tanto poder de denúncia...E isso é bom.

Talvez o problema da honestidade resida em sua dupla valoração: o outro não pode ser desonesto comigo; mas eu, às vezes, posso ser com ele...Há desonestos maiores e menores (quase inofensíveis), defendemos! E assim se perpetua a desonestidade: hoje nos pequenos gestos, amanhã nos grandes golpes.

Somos desonestos quando nos sentirmos espertos por termos trapaceado em algum negócio do qual levamos vantagem. Criticamos a burocracia do serviço público, mas almejamos lá um cargo para perpetuar essa lentidão ("ganhar muito e não fazer nada"...). Paradoxalmente, trapaceamos, enganamos, mas não gostamos de sermos enganados...Há corruptos e corruptores. Somos corruptos quando agimos com desonestidade e corruptores quando a fomentamos em outrem...

Honestidade é uma virtude que deve ser cultivada em nossos filhos desde tenra idade; devemos advertí-los porém, das agruras de tal virtude: muitas pessoas tê-los-ão na conta de ingênuos, bobos, poderão ser alvo de chacotas...Incentivemos, porém, para que prossigam através do nosso exemplo diário. Apenas assim, creio eu, poderão ocorrer substanciais mudanças no futuro: na política, na sociedade em geral e, talvez o vaticínio do ilustre Rui Barbosa se transforme apenas em uma referência histórica.